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    COMPETITIVIDADE E ESTRUTURA DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS
    Autor: Otaviano Canuto
    Assunto: Conjuntura Econômica e Economia Internacional
    Publicado pelo jornal Valor em 06/06/00

    Os motivos apontados para o desempenho das exportações brasileiras aquém da média mundial, nos últimos anos, podem ser agrupados em dois tipos. Um primeiro destaca fatores "macroeconômicos" de competitividade, de cunho geral e sistêmico, tais como níveis desfavoráveis da taxa real efetiva de câmbio, inadequada infra-estrutura de apoio, insuficiência e custo de crédito etc.

    Já o outro tipo de explicação se reporta à composição das exportações. Segundo esse argumento "estrutural", por estar a pauta relativamente concentrada em produtos com crescimento de mercados externos abaixo da média mundial, a expansão das vendas tenderia a permanecer abaixo da tendência relativa ao comércio internacional.

    A distinção entre os dois tipos de explicação é relevante porque as prescrições de política divergem nos dois casos. O tipo "macroeconômico" de diagnóstico enfatiza políticas de efeito mais horizontal, enquanto o "estrutural" tende a promover políticas mais seletivas, com foco em ramos específicos.

    Alguns críticos reclamam dos "preconceitos" setoriais que, com freqüência, aparecem no argumento "estrutural". Com efeito, as estatísticas do comércio mundial, em níveis setorialmente desagregados, mostram ser um equívoco estabelecer de antemão qualquer maior ou menor dinamismo intrínseco a um segmento por ser industrial, agrícola ou de serviços. Dado o caráter abrangente do impacto de novas tecnologias e de outras formas de agregação de valor, não há como estabelecer qualquer correlação entre dinamismo da pauta de um país e sua composição em termos de itens genéricos de classificação.

    O gráfico em pizza ao lado, extraído de recente trabalho do IEDI sobre as exportações brasileiras, busca combinar os aspectos de competitividade e de estrutura. As vendas externas do triênio 1996-98 estão distribuídas em 4 grupos, conforme o crescimento relativo dos mercados externos e a evolução das parcelas de mercado apropriadas pelo Brasil, com um nível de desagregação que incorpora 194 itens. Conforme me observaram Clésio Xavier e Emerson Marçal, dois pesquisadores que participaram do trabalho, esse grau de desagregação libera a análise dos preconceitos setoriais.

    Os 29% da fatia dos ramos "ótimos" correspondem àqueles cujo crescimento mundial, desde 1982-84, foi maior que a média e nos quais a participação brasileira também subiu no mesmo período. No pedaço de 20% das "oportunidades perdidas" estão os ramos com dinamismo de mercado nos quais o país perdeu posição de mercado. Por seu turno, os grupos de "declinantes" (32%) e "em retrocesso" (19%) referem-se aos ramos com crescimento mundial abaixo da média, nos quais respectivamente o Brasil ganhou e perdeu parcelas de mercado.

    Antes de tudo, cabe observar que a proporção de "ótimos" parece estar acima do que se esperaria do diagnóstico "estrutural". Segundo, no caso dos "declinantes" há que se levar em conta o fato de que a substituição de concorrentes pode ensejar algum fôlego de expansão, a despeito dos tamanhos de mercado em queda relativa.

    Finalmente, conforme se pode observar nos anexos do trabalho do IEDI, entre as "oportunidades perdidas" se encontram vários segmentos a jusante (downstream) das cadeias de processamento de recursos naturais - papel e celulose, metalurgia, petroquímica - nas quais o país manteve competitividade nos segmentos básicos, a montante. Cumpre notar aí o reforço competitivo que adviria da desoneração dos tributos em cascata, posto que estes afetam principalmente os segmentos com peso elevado de aquisição de insumos. Na verdade, o pessimismo "estrutural" decorre em parte dos efeitos de "competitividade" gerados pelo "custo Brasil".