WORKING PAPER
Celio Hiratuka, Fernando Sarti, Antônio Carlos Diegues, Roberto Borghi | Project DIP-BR (UFRJ)
Este estudo analisa a transição global da indústria automotiva rumo à descarbonização, destacando as principais mudanças que vem ocorrendo no cenário internacional e a inserção do Brasil nesse contexto. Em sua dimensão internacional o texto destaca como a transição dos motores a combustão interna para tecnologias elétricas vem alterando profundamente a cadeia de valor do setor, sobretudo pela centralidade das baterias, motores elétricos e eletrônica de potência. A China vem liderando essa transição, impulsionada por políticas industriais robustas, grande escala produtiva e domínio tecnológico. Em 2024, a China respondeu por 65% das vendas globais de veículos elétricos, tornando-se também a maior exportadora mundial. EUA, Europa, Japão e Coreia do Sul adotam estratégias distintas, combinando incentivos, regulação e políticas de conteúdo local, embora enfrentem revisões recentes em suas metas de eletrificação. Em especial empresas dos Estados Unidos tem desacelerado a transição para veículos elétricos. Em sua análise do caso brasileiro, o estudo aponta que o país possui vantagens importantes, como matriz elétrica renovável e longa experiência com biocombustíveis, e enfatiza a importância do Programa Mover, por incorporar em seus objetivos metas explícitas de descarbonização. Destaca também que a entrada agressiva de montadoras chinesas, como BYD e GWM, acelerou a difusão dos elétricos, pressionando incumbentes a acelerar suas estratégias de eletrificação. Apesar disso a análise enfatiza a importância de adensar a cadeia produtiva, reforçar vantagens nos biocombustíveis e avançar no domínio tecnológico e produtivo das etapas críticas dos veículos eletrificados para que o Brasil possa se consolidar como polo de mobilidade sustentável.
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