HOMENAGEM
Renato de Castro Garcia | Revista Brasileira de Inovação
A Revista Brasileira de Inovação dedica este editorial à memória do Professor Wilson Suzigan, seu criador e editor desde a fundação da revista, em 2002, até seu falecimento, em 2026. Sua partida representa uma perda imensa não apenas para seus familiares, amigos, colegas, alunos e orientandos, mas também para toda a comunidade acadêmica dedicada aos estudos da indústria, da inovação, da política industrial e do desenvolvimento econômico. Aqueles que tiveram o privilégio de trabalhar e aprender com ele, é também a perda de uma presença discreta, generosa e constante, que marcou profundamente a vida acadêmica e a trajetória desta revista.
Para a RBI, essa perda possui um significado muito particular. Wilson Suzigan concebeu, implantou e conduziu a revista por quase um quarto de século. Sua atuação foi decisiva para transformar a RBI em um espaço acadêmico plural, rigoroso e reconhecido, capaz de acolher diferentes abordagens no campo dos estudos da inovação e de promover o diálogo entre a pesquisa brasileira e o debate internacional. Recordar sua trajetória significa, portanto, revisitar as origens da revista, os princípios que orientaram sua construção e o projeto intelectual que lhe conferiu identidade. Significa também reconhecer que a história da RBI se tornou inseparável de sua atuação e de sua presença.
Nascido em Americana, no estado de São Paulo, em 26 de fevereiro de 1942, Wilson Suzigan iniciou sua formação em Economia na PUC-Campinas. Posteriormente, integrou a primeira turma do mestrado em Economia da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde defendeu, em 1968, a dissertação O processo de substituição de importações no Brasil. Entre 1981 e 1984, realizou o doutorado na Universidade de Londres, desenvolvendo uma investigação sobre o investimento na indústria de transformação brasileira entre 1869 e 1939.
Antes de ingressar na Unicamp, Suzigan trabalhou no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas e no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, onde atuou como pesquisador e coordenador da área de pesquisa econômica. Paralelamente, foi professor do Departamento de Economia da PUC-Rio. Em 1984, passou a integrar o Instituto de Economia da Unicamp, instituição na qual permaneceu até sua aposentadoria, em 2000. Mesmo depois disso, continuou intensamente envolvido em atividades de ensino, pesquisa e orientação. A partir de 2006, passou a colaborar com o Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp.
A trajetória de Wilson Suzigan poderia ser apresentada a partir da extensão de sua produção bibliográfica, ou do número expressivo de pesquisadores que orientou, ou ainda das instituições acadêmicas que ajudou a construir. Porém, mesmo que esses indicadores revelem a dimensão de seu trabalho, eles não são suficientes para caracterizar plenamente sua contribuição. O elemento que confere unidade à sua obra é uma forma particular de compreender o desenvolvimento econômico como processo histórico, cumulativo, condicionado pelas instituições e sustentado pela construção de capacitações produtivas, tecnológicas e organizacionais.
Essa perspectiva aparece desde seus primeiros trabalhos sobre a história econômica brasileira. No livro Política do governo e crescimento da economia brasileira: 1889–1945, escrito em coautoria com Aníbal Villela, Suzigan participou de um amplo esforço de reconstrução e análise de informações sobre política econômica, comércio exterior e produção industrial e agrícola no Brasil. Posteriormente, em História Monetária do Brasil, em coautoria com Carlos Manuel Peláez, realizou um trabalho original de organização das séries monetárias brasileiras para um período de mais de um século e meio.
Esses estudos já revelavam uma das características mais marcantes de sua trajetória. Suzigan tinha a convicção de que interpretações abrangentes sobre o desenvolvimento econômico do Brasil deveriam estar apoiadas em evidências empíricas sólidas, construídas e examinadas com extremo cuidado. Para eles, os dados não eram um elemento acessório ou meramente ilustrativo, mas eram parte constitutiva do argumento e, muitas vezes, precisavam ser reconstruídos antes que as perguntas de pesquisa pudessem ser adequadamente respondidas.
Essa combinação entre interpretação histórica e rigor empírico alcançou sua expressão mais conhecida no livro Indústria brasileira: origem e desenvolvimento. Elaborado a partir de sua tese de doutorado, o livro apresentou um extraordinário levantamento das exportações de máquinas e equipamentos industriais para o Brasil realizadas pelo Reino Unido, pelos Estados Unidos, pela Alemanha e pela França a partir de meados do século XIX até o ano de 1939. Diante da reduzida produção doméstica desses bens no período, os dados permitiram construir uma nova e mais confiável medida do investimento e do crescimento da capacidade produtiva da indústria brasileira.
A importância desta obra não decorre apenas da dimensão do levantamento estatístico, mas da capacidade de utilizar essas evidências para reinterpretar as origens e a trajetória da industrialização brasileira. O livro tornou-se uma referência incontornável da história econômica do país e influenciou sucessivas gerações de economistas. Sua terceira edição, publicada em 2021, testemunha a permanência de uma contribuição que, décadas depois de formulada, continua indispensável ao ensino e à pesquisa sobre a formação industrial do Brasil. Para muitos estudantes de economia no Brasil, o primeiro encontro com Wilson Suzigan ocorreu por meio dessa obra, que permanece como referência obrigatória na maioria dos cursos de Economia em todo o Brasil.
A história econômica também forneceu os fundamentos de outra vertente central de sua produção, que foi o estudo da política industrial. Wilson Suzigan foi um dos autores que mais contribuíram para qualificar esse debate no Brasil. Sua abordagem se afastava tanto da aceitação voluntarista de qualquer intervenção estatal quanto da rejeição dogmática da política industrial. Essa concepção, claramente expressa no livro Industrial Policy in Brazil, escrito em coautoria com Aníbal Villela, combinava consistência teórica, perspectiva histórica e sólida sustentação empírica. Suzigan reconhecia a concorrência e os mercados como elementos centrais da dinâmica econômica e atribuía às empresas o papel de principais agentes da inovação. Ao mesmo tempo, ressaltava que o desenvolvimento produtivo e tecnológico não resulta espontaneamente dos mecanismos de mercado, pois depende da acumulação de capacitações, da disponibilidade de conhecimento, da infraestrutura científica e tecnológica e da existência de instituições capazes de promover coordenação e aprendizado.
Nessa perspectiva, o papel do Estado não consistia em substituir as decisões empresariais nem em proteger indefinidamente setores pouco competitivos, mas em criar condições para a inovação, enfrentar obstáculos sistêmicos e coordenar esforços de transformação produtiva e tecnológica. A política industrial deveria, assim, combinar medidas horizontais, voltadas ao fortalecimento do ambiente econômico e institucional, com ações seletivas dirigidas a setores e tecnologias com maior potencial de aprendizado, geração de externalidades e efeitos dinâmicos sobre o conjunto do sistema econômico. A seletividade, portanto, não deveria decorrer de escolhas arbitrárias nem da pretensão de identificar antecipadamente setores ou empresas vencedoras, mas apoiar-se em diagnósticos consistentes, prioridades claramente definidas e mecanismos permanentes de acompanhamento e avaliação. Para Suzigan, a questão fundamental não era escolher entre Estado e mercado, mas construir formas de interação entre ambos capazes de estimular a inovação, a competitividade e a mudança estrutural.
A dimensão institucional ocupou lugar particularmente importante nessa agenda. A análise histórica permitiu a Suzigan mostrar que o Brasil havia construído, em diferentes momentos de sua história contemporânea, instituições capazes de apoiar a industrialização e aproximar a estrutura produtiva nacional dos padrões internacionais. Ao mesmo tempo, essas instituições demonstraram dificuldades para acompanhar as transformações econômicas e tecnológicas iniciadas nas últimas décadas do século XX. Em seus trabalhos mais recentes, Suzigan voltou reiteradamente a esse problema, reforçando que políticas industriais ambiciosas dificilmente alcançam resultados duradouros quando não são acompanhadas por capacidades estatais, coordenação institucional e estabilidade de objetivos. Além disso, ressaltava que é preciso estabelecer formas de articulação da política industrial com as políticas científica, tecnológica, e também com a política macroeconômica.
Essa reflexão permanece especialmente atual. Em um contexto no qual a política industrial voltou ao centro das estratégias de desenvolvimento tecnológico, transição energética e transformação digital em diversos países, a obra de Suzigan oferece uma lição fundamental, em que a eficácia dessas iniciativas não depende apenas da seleção de setores prioritários ou da escolha dos instrumentos adequados. Requer, sobretudo, instituições sólidas, capacidade de coordenação e relações consistentes entre o Estado, as empresas, as universidades e os demais atores do sistema de inovação.
A partir da década de 1990, Wilson Suzigan ampliou sua agenda de pesquisa em direção a temas que se tornariam centrais para o debate sobre economia industrial e da inovação no Brasil. Um deles foi o estudo dos sistemas locais de produção, mais conhecidos no Brasil como arranjos produtivos locais ou APLs. Em um período no qual o espaço para o debate sobre política industrial havia se reduzido significativamente, o desenvolvimento local abriu novas possibilidades para analisar políticas de apoio às empresas e à inovação. Suzigan teve papel decisivo na estruturação dessa agenda. Seus trabalhos combinaram a recuperação do debate internacional com um cuidadoso esforço de adequação conceitual e metodológica à realidade brasileira.
Particularmente importante foi a preocupação em desenvolver critérios rigorosos para identificar, mapear e classificar sistemas locais de produção. A tipologia formulada permitiu distinguir sistemas locais de produção de acordo com sua importância para a economia local e para seus respectivos setores, oferecendo bases mais consistentes para a formulação de políticas diferenciadas de desenvolvimento local e mais adequadas às características das estruturas produtivas locais.
Essa contribuição mostra outra característica recorrente em sua trajetória, que foi a recusa de soluções uniformes para problemas marcados por forte heterogeneidade. Sistemas locais com estruturas, capacitações e formas de inserção produtiva distintas não deveriam receber os mesmos instrumentos de apoio. Era preciso compreender suas especificidades, identificar seus recursos e suas fragilidades e formular políticas compatíveis com suas condições concretas. Nesse contexto, merecem destaque os trabalhos desenvolvidos no estado do Paraná, em parceria com instituições estaduais, quando ele coordenou a aplicação de uma metodologia rigorosa para contribuir diretamente para a capacitação de gestores e para o aprimoramento das políticas públicas de desenvolvimento local.
Outra frente decisiva de sua trajetória foi o estudo das interações entre universidades, institutos públicos de pesquisa e empresas. Suzigan coordenou um amplo programa de investigação destinado a demonstrar que a contribuição das universidades para o desenvolvimento tecnológico brasileiro era mais ampla e profunda do que os estudos empíricos e as interpretações predominantes costumavam reconhecer. A reconstrução histórica de experiências brasileiras na agricultura, na indústria aeronáutica, na siderurgia e na produção de ligas metálicas especiais evidenciou o papel fundamental desempenhado pelas universidades e instituições públicas de pesquisa na formação e na acumulação de capacitações produtivas e tecnológicas no país.
Esse programa de pesquisa contribuiu para modificar a maneira como as relações entre universidade e empresa eram examinadas no Brasil. Ao invés de avaliar essas interações exclusivamente a partir de modelos construídos com base na experiência dos países desenvolvidos, Suzigan e seus colaboradores ressaltaram a necessidade de considerar as características históricas e institucionais dos países em desenvolvimento.
O livro Developing National Systems of Innovation: University-Industry Interactions in the Global South, organizado com Eduardo Albuquerque, Glenda Kruss e Keun Lee, ampliou essa reflexão e ajudou a estabelecer uma agenda comparativa sobre os sistemas de inovação do Sul Global.
Vistas em conjunto, essas diferentes frentes de investigação não constituem capítulos independentes de uma carreira extensa. Elas formam um programa intelectual coerente. A industrialização é compreendida como processo histórico; a inovação, como fenômeno sistêmico e cumulativo; a política industrial, como construção institucional; e o desenvolvimento, como resultado da articulação entre capacidades empresariais, ação estatal, conhecimento científico e aprendizado tecnológico. Essa coerência permite compreender por que Wilson Suzigan transitou com tanta naturalidade entre história econômica, economia industrial, política industrial, desenvolvimento regional e economia da inovação.
Sua contribuição, contudo, foi muito além da produção acadêmica. Suzigan teve papel importante na formação de pesquisadores e na construção de instituições. Orientou dezenas de trabalhos de iniciação científica, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Seus alunos e colaboradores encontraram nele não apenas um pesquisador de enorme erudição, mas um professor exigente, generoso e profundamente comprometido com a qualidade do trabalho acadêmico. Sua influência pode ser reconhecida nas trajetórias de pesquisadores que hoje atuam em diferentes universidades e instituições, nas agendas de pesquisa que ajudou a estabelecer e nos padrões de rigor intelectual que transmitiu às novas gerações. Seus alunos e colaboradores encontraram nele não apenas um pesquisador de enorme erudição, mas um professor exigente, generoso e profundamente comprometido com a qualidade do trabalho acadêmico. Sua exigência era acompanhada pelo respeito ao interlocutor, pela disposição para ouvir e pela confiança na capacidade dos pesquisadores mais jovens. Muitos dos que com ele aprenderam levam consigo não apenas suas ideias, mas também uma maneira de pesquisar, orientar e viver a universidade. Mais do que formar pesquisadores, Wilson Suzigan ajudou a formar uma comunidade intelectual.
A construção de revistas científicas foi parte essencial dessa atuação institucional. No final da década de 1990, Suzigan teve papel central na implantação da revista Economia, da Anpec. Em 2002, criou a Revista Brasileira de Inovação, assumindo desde então sua editoria. A criação da RBI representou uma intervenção importante no processo de consolidação dos estudos da inovação no Brasil. Em um campo ainda em formação, a revista ofereceu um espaço para a divulgação de resultados de pesquisa, para o encontro entre diferentes tradições disciplinares e para a construção de uma comunidade acadêmica.
Durante quase 25 anos, Wilson Suzigan acompanhou todas as etapas da trajetória da RBI. Seu trabalho editorial foi exercido com discrição, dedicação e extraordinário senso de responsabilidade. Para ele, editar uma revista não significava apenas selecionar artigos ou administrar processos de avaliação. Significava zelar pela qualidade do debate, estimular novas agendas de pesquisa, preservar a pluralidade intelectual e criar condições para que o conhecimento pudesse circular e amadurecer. Para aqueles que compartilharam com ele essa tarefa, sua presença representava continuidade, memória e direção. Era uma atuação discreta, muitas vezes distante da visibilidade pública, mas essencial para que a revista preservasse sua identidade e seus padrões de qualidade.
Sob sua liderança, a RBI consolidou-se como um periódico de referência na área dos estudos da inovação. A revista acolheu trabalhos sobre diversos temas relacionados com o seu foco e escopo nos estudos da inovação, como mudança tecnológica, sistemas de inovação, política científica e tecnológica, gestão da inovação e relações universidade-empresa. Essa amplitude não resultava de ausência de identidade, mas de uma concepção abrangente da inovação, entendida como processo econômico, social, histórico e institucional.
A RBI representa, nesse sentido, uma das expressões mais duradouras do legado de Wilson Suzigan. Ao criá-la, ele não apenas estabeleceu um veículo para divulgar pesquisas. Contribuiu para conferir forma institucional a um campo de estudos, aproximar pesquisadores, formar autores e pareceristas e ampliar o espaço ocupado pela inovação no debate acadêmico brasileiro. A revista que hoje o homenageia é, ela própria, parte de sua herança e da comunidade acadêmica que ele ajudou a construir.
O reconhecimento a essa trajetória se expressou em importantes distinções. Em 2007, Wilson Suzigan recebeu o grau de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico. Em 2024, a Unicamp concedeu-lhe o título de Professor Emérito, reconhecendo uma vida dedicada à Universidade e as contribuições excepcionais que ofereceu ao ensino, à pesquisa, à formação de pesquisadores e ao desenvolvimento institucional. Mais do que homenagens individuais, essas distinções expressam o reconhecimento público de uma obra que se tornou parte do patrimônio intelectual brasileiro.
A ausência de Wilson Suzigan será profundamente sentida, não apenas nos grandes debates que ajudou a construir, mas também na vida cotidiana das instituições às quais se dedicou, nas conversas sobre os rumos da revista, nas decisões editoriais e na leitura sempre cuidadosa dos trabalhos. Permanecem, contudo, sua obra, seus ensinamentos, seus alunos, as instituições que ajudou a criar e as agendas de pesquisa que contribuiu para estabelecer. Permanecem também seu compromisso com a universidade pública, sua defesa do rigor acadêmico e sua convicção de que compreender a indústria, a inovação e o desenvolvimento é uma tarefa inseparável do esforço de pensar os grandes desafios do Brasil.
A melhor homenagem que a Revista Brasileira de Inovação pode prestar a seu criador é preservar e renovar esse legado. Isso significa manter o compromisso com a qualidade acadêmica, a pluralidade teórica, o rigor metodológico e a relevância das questões investigadas. Significa continuar abrindo espaço para novos pesquisadores, novos temas e novas abordagens, sem perder de vista os problemas estruturais do desenvolvimento brasileiro. Significa, sobretudo, compreender a revista como uma construção coletiva e duradoura, exatamente como Wilson Suzigan a concebeu.
Ao dedicar este editorial à sua memória, a RBI registra sua profunda gratidão. Gratidão por sua obra, por sua liderança, por sua generosidade intelectual e pelos quase 25 anos dedicados à revista. Wilson Suzigan permanecerá presente nas páginas que ajudou a publicar, nos debates que estimulou e na comunidade acadêmica que reuniu em torno da investigação sobre inovação e desenvolvimento.
É assim que permanecem os grandes mestres: não apenas nos textos que escreveram, mas nas pessoas, nas instituições e nos projetos intelectuais que ajudaram a construir. O legado de Wilson Suzigan permanecerá presente nas páginas que ajudou a publicar, nos debates que estimulou e na comunidade acadêmica que reuniu em torno da investigação sobre inovação e desenvolvimento. Os grandes mestres permanecem não apenas nos textos que escreveram, mas nas pessoas, nas instituições e nos projetos intelectuais que ajudaram a construir. A RBI é uma dessas construções. Ao prosseguir sua trajetória, continuará levando consigo a marca intelectual e humana do Prof. Suzigan.
Bibliografia
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