PREMIAÇÃO

 

A tese de doutorado de Juliana Duffles Donato Moreira, defendida no Instituto de Economia (IE) da Unicamp, conquistou o primeiro lugar na categoria "Tese de Doutorado" do Prêmio Nacional Nelson Victor Le Cocq D’Oliveira de Teses e Dissertações em Economia. A premiação ocorreu em 16 de dezembro, no auditório do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecon-RJ), e reconheceu pesquisas alinhadas aos princípios da democracia, da redução das desigualdades e do desenvolvimento nacional.

O prêmio é promovido pela Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (Abed), em parceria com o Conselho Federal de Economia (Cofecon) e os Conselhos Regionais de Economia do Rio de Janeiro e do Distrito Federal (Corecon-RJ e Corecon-DF). A iniciativa homenageia o economista Nelson Victor Le Cocq D’Oliveira e tem como objetivo estimular a produção acadêmica de excelência voltada aos grandes desafios econômicos, sociais e ambientais do país.

Intitulada Subdesenvolvimento e política social: contradições do ciclo de ‘crescimento econômico com inclusão social’ e limites estruturais para a democratização do acesso à saúde no Brasil”, a tese analisa criticamente o Sistema Único de Saúde (SUS) à luz das transformações econômicas ocorridas entre 2003 e 2014. O trabalho discute como a estrutura produtiva, o padrão de financiamento público e a dominância financeira limitaram a consolidação de políticas sociais universais, mesmo em um período de crescimento econômico e redução da pobreza.

A pesquisa foi orientada pelo professor Márcio Pochmann, que destacou a atualidade e a relevância do estudo para o debate público. Segundo ele, a tese representa uma contribuição consistente para a formulação de uma agenda comprometida com democracia, soberania, redução das desigualdades e desenvolvimento nacional, além de reforçar a importância da ampla divulgação de pesquisas com potencial de influenciar políticas públicas.

Ao colocar a saúde no centro da análise, Juliana Moreira defende que os direitos sociais devem constituir a base de um novo projeto de desenvolvimento para o país. Para a autora, o fortalecimento do SUS e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) é estratégico para articular inclusão social, inovação tecnológica e autonomia produtiva, transformando o gasto social em investimento estruturante.

O Prêmio Nelson Le Cocq avalia os trabalhos por meio de comissão nacional, com critérios como relevância do tema, originalidade, consistência metodológica, qualidade redacional e aderência aos valores defendidos pela Abed.

 

Reportagem sobre a tese: https://www.eco.unicamp.br/noticias/subdesenvolvimento-e-politica-social-limites-da-universalizacao-da-saude-no-brasil

 

Na categoria "Dissertação de Mestrado", o trabalho Crédito direcionado no Brasil: uma análise da institucionalidade à luz das experiências internacionais e dos desafios contemporâneos, de Aline Jorge Moraes, conquistou o segundo lugar no Prêmio Nelson Le Cocq 2025. O trabalho foi defendido em 2024 no IE-Unicamp, sob orientação da professora Ana Rosa Ribeiro de Mendonça e coorientação da professora Rosângela Ballini.

A pesquisa analisa o papel do crédito direcionado como instrumento de política econômica, examinando sua institucionalidade no Brasil em perspectiva comparada com experiências internacionais. A autora discute como mecanismos de direcionamento de crédito — frequentemente tratados como distorções — podem, em determinados contextos, atuar como ferramentas estratégicas para o financiamento do investimento, a coordenação do desenvolvimento produtivo e o enfrentamento de desafios contemporâneos, como a transição climática e a redução de desigualdades.

Ao articular a literatura teórica, a evolução normativa do sistema financeiro brasileiro e evidências empíricas recentes, a dissertação problematiza a ideia de neutralidade do crédito e destaca a centralidade das instituições financeiras públicas, dos fundos constitucionais e dos instrumentos regulatórios na conformação de trajetórias de desenvolvimento. O trabalho contribui para o debate sobre política econômica ao recolocar o crédito direcionado no centro das discussões sobre crescimento, estabilidade macroeconômica e transformação estrutural.