MÍDIA

 

A desigualdade no acesso ao sistema financeiro no Brasil reflete diferenças estruturais de renda e educação. Dados do levantamento “Raio X do Investidor Brasileiro 2026” indicam que apenas 36% da população possui algum tipo de investimento, com forte concentração nas faixas de maior renda .

Na classe AB, que reúne 24% da população, 42% investiram em 2025. Já na classe DE, com renda média inferior a R$ 2,2 mil, apenas 12% conseguiram aplicar recursos — e só 2% acessam produtos financeiros de forma mais estruturada . A limitação de renda e a baixa educação financeira mantêm grande parte da população fora do sistema.

O padrão de investimento também varia. A poupança ainda predomina, mas perde espaço para títulos privados e fundos. Entre os mais pobres, prevalecem estratégias informais, como guardar dinheiro em casa ou investir em imóveis, indicando desintermediação financeira .

A educação financeira aparece como fator decisivo. Enquanto 37% da classe AB tiveram acesso a cursos ou formação na área, esse índice cai para 8% na classe DE . A diferença se reflete no comportamento: rendas mais altas privilegiam retorno e segurança; rendas mais baixas priorizam facilidade e confiança institucional.

O estudo também aponta variações geracionais. Jovens diversificam mais os investimentos e utilizam canais digitais, enquanto idosos apresentam maior vulnerabilidade financeira e dependência de benefícios públicos .

Simulações de longo prazo indicam que a acumulação de patrimônio relevante — na faixa de R$ 10 milhões — exige capacidade de poupança contínua por décadas, algo restrito a grupos de alta renda. O resultado reforça que a ascensão ao topo da pirâmide financeira depende não apenas de disciplina individual, mas de condições estruturais: renda elevada, acesso à educação e inserção qualificada no mercado.

 

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