MÍDIA

 

A relação entre empresas e ditadura militar no Brasil produziu efeitos diretos sobre renda, trabalho e desigualdade. Levantamento associado ao podcast Perdas e Danos mostra que ao menos dois terços dos empresários identificados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) como apoiadores do regime têm origem em famílias escravistas .

Nesse contexto, a política econômica adotada após 1964 contribuiu para a deterioração das condições de vida da população. Segundo o professor Marco Antônio Rocha, do Instituto de Economia da Unicamp, a mudança na política de reajuste do salário mínimo, em um ambiente de inflação elevada, levou a uma rápida perda de poder de compra. Em cerca de dois anos, o salário mínimo perdeu aproximadamente 50% do seu valor real .

O efeito distributivo foi significativo. Dados do IBGE indicam que a concentração de renda aumentou ao longo do período: a parcela apropriada pelos 5% mais ricos passou de 28%, em 1960, para quase 40% em 1972 .

A análise sugere que o alinhamento entre Estado autoritário e setores empresariais não se limitou ao apoio político, mas se traduziu em políticas que comprimiram salários e ampliaram a desigualdade, com impactos persistentes na estrutura social brasileira.

 

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