MÍDIA

 

A revisão dos critérios de inspeção da soja brasileira por parte da China já começa a impactar o fluxo de exportações ao principal parceiro comercial do setor. As novas exigências, voltadas ao controle mais rigoroso de pragas e impurezas, tornaram o processo de certificação mais restritivo e ampliaram o tempo necessário para liberação dos embarques.

Segundo o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Antônio Márcio Buainain, a decisão tem natureza essencialmente técnica e responde à preocupação chinesa com segurança biológica. “O objetivo é evitar a entrada de pragas quarentenárias e materiais que comprometam a produção local”, afirma.

A adaptação às novas regras envolve mudanças operacionais relevantes. A coleta de amostras passou a ser realizada por empresas contratadas pelas tradings, e os critérios de análise tornaram-se mais exigentes, demandando laudos laboratoriais mais detalhados. Na prática, observa Buainain, o processo de emissão de certificados ficou mais lento, criando gargalos logísticos nos portos.

Os efeitos imediatos não estão na demanda — que permanece elevada —, mas na dinâmica dos embarques e das compras internas. O economista destaca que há paralisação pontual de negociações no campo e aumento do risco de custos adicionais, como a espera de navios e a formação de estoques.

No curto prazo, o cenário pode abrir espaço para concorrentes internacionais com sistemas logísticos mais estruturados. Ainda assim, Buainain avalia que a adequação às novas exigências pode consolidar um padrão mais elevado de qualidade, fortalecendo a posição do Brasil no mercado global e reduzindo vulnerabilidades a barreiras comerciais.

 

Leitura completahttps://redeglobo.globo.com/sp/eptv/epagro/noticia/china-muda-as-regras-de-inspecao-da-soja-brasileira-entenda-os-impactos-no-setor.ghtml