MÍDIA

 

A reportagem recupera evidências de como empresas suíças se beneficiaram das condições econômicas e políticas impostas pela ditadura militar brasileira, com destaque para o rebaixamento salarial e a repressão ao movimento trabalhista como fatores de atração de capital estrangeiro.

Nesse contexto, a participação do professor Marco Antônio Rocha, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas, funciona como eixo interpretativo central para compreender o mecanismo econômico por trás desse processo.

Rocha sustenta que a política de arrocho salarial não foi apenas uma consequência do regime, mas parte de sua lógica fundadora. Segundo ele, a valorização do salário mínimo no período anterior ao golpe de 1964 foi um dos elementos que tensionaram setores empresariais e contribuíram para a ruptura institucional. Após a instalação do regime, uma das primeiras medidas foi justamente alterar a política de indexação dos salários à inflação.

Na prática, essa mudança produziu uma rápida deterioração do poder de compra dos trabalhadores. Como aponta o professor, em um intervalo de um a dois anos, o salário mínimo perdeu cerca de 50% do seu valor real. Esse movimento, segundo sua análise, foi decisivo para criar um ambiente de mão de obra barata e previsível — condição essencial para a ampliação da rentabilidade do capital estrangeiro no país.

A fala de Rocha reforça o argumento central da matéria: a repressão política e o controle sobre salários não apenas coexistiram, mas operaram de forma articulada para sustentar um modelo econômico favorável ao investimento externo, especialmente de multinacionais suíças.

 

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