MÍDIA
O professor titular do Instituto de Economia da Unicamp Antônio Márcio Buainain concedeu entrevista à agência chinesa Xinhua na qual avaliou os efeitos do atual conflito regional no Oriente Médio sobre a economia brasileira, o agronegócio e os países do Sul Global.
Ao comentar as medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conter o preço do diesel e a inflação doméstica — incluindo a aplicação de taxa sobre exportações de petróleo — Buainain avaliou positivamente a iniciativa. Segundo ele, trata-se de uma resposta a um choque externo com impactos diretos sobre energia e inflação, cenário em que o Estado deve atuar para mitigar efeitos adversos. O economista pondera que a medida não é neutra do ponto de vista fiscal, mas pode estimular o redirecionamento de parte da oferta ao mercado interno, com impacto limitado sobre empresas e balança comercial
O professor também destacou a vulnerabilidade brasileira diante da dependência de importações de fertilizantes, especialmente ureia, em caso de fechamento do Estreito de Ormuz. Embora reconheça a competitividade da agricultura nacional, Buainain observa que interrupções logísticas podem gerar pressões no curto prazo. Por outro lado, ressalta que o setor trabalha com estoques e contratos antecipados, o que confere alguma resiliência, e defende estratégias estruturais de diversificação de fornecedores e ampliação da produção doméstica
Sobre os efeitos para o mercado interno e o agronegócio, o economista avalia que, em um cenário prolongado de conflito, o impacto líquido tende a ser negativo para a economia brasileira. A alta dos preços internacionais de energia e insumos pressiona custos de produção, alimenta a inflação e reduz o poder de compra. Além disso, o Oriente Médio representa mercado relevante para produtos como milho e carne de frango, de modo que eventuais interrupções comerciais podem afetar exportações
Ao abordar o papel do Sul Global, Buainain considera improvável uma ação coordenada ampla no curto prazo, dada a heterogeneidade entre exportadores e importadores de energia. A resposta, segundo ele, deve ocorrer principalmente no plano nacional, com políticas de proteção às populações vulneráveis e medidas de estabilização econômica
Por fim, destacou a importância da continuidade das compras chinesas do agronegócio brasileiro. Para o professor, a manutenção do comércio entre grandes parceiros é elemento de estabilidade em momentos de pressão inflacionária global. Ele defende ainda o aprofundamento da cooperação Brasil-China para além das commodities, avançando em tecnologia agrícola, sustentabilidade e inovação.
A entrevista completa: https://spanish.news.cn/20260315/d2d9da683e874326a31436ec2500739b/c.html
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