NOTÍCIA
O professor Antônio Márcio Buainain, do Instituto de Economia da Unicamp, participou da FAPESP Week London 2026, realizada entre os dias 2 e 4 de junho, no Science Museum, em Londres. O evento reuniu pesquisadores de instituições paulistas e britânicas com o objetivo de fortalecer a cooperação científica internacional e estimular novas agendas de pesquisa em áreas estratégicas.
Buainain integrou a sessão científica “Biodiversity, Bioeconomy, Circular Economy”, dedicada ao debate sobre biodiversidade, bioeconomia e economia circular. Em sua participação, o professor defendeu uma leitura mais ampla da bioeconomia brasileira, para além da Amazônia e das interpretações simplificadas que frequentemente dominam o debate internacional sobre o tema.
Na fala de abertura da sessão, Buainain destacou o papel da FAPESP na construção de uma agenda científica acumulada ao longo de décadas em áreas como biodiversidade, funcionamento de ecossistemas, bioenergia, agricultura sustentável e inovação baseada em recursos biológicos. Segundo ele, programas como o BIOTA-FAPESP e o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia contribuíram para formar capacidades científicas, redes de pesquisa, bases de dados e colaborações internacionais que hoje colocam São Paulo e o Brasil em posição relevante nas discussões globais sobre sustentabilidade.
O professor também chamou atenção para a necessidade de compreender a biodiversidade não apenas como objeto de conservação, mas como uma forma de infraestrutura natural. Em sua avaliação, sistemas ecológicos são fundamentais para a regulação da água, a polinização, a fertilidade dos solos, a regulação climática, a resiliência diante de choques ambientais e a geração de oportunidades de inovação.
Ao tratar da experiência brasileira, Buainain argumentou que a associação automática entre biodiversidade, bioeconomia e Amazônia, embora compreensível, é insuficiente para explicar a complexidade do país. Ele lembrou que o Brasil possui seis grandes biomas, com características ecológicas, trajetórias econômicas, arranjos institucionais e desafios sociais distintos.
Para o professor, a bioeconomia brasileira não se limita a cadeias de produtos florestais ou a iniciativas baseadas em comunidades locais, ainda que essas experiências sejam relevantes. Ela também inclui atividades historicamente centrais para o desenvolvimento nacional, como açúcar, café, borracha, papel e celulose, etanol, agricultura tropical, pecuária, biotecnologia, florestas plantadas, soja, milho de segunda safra e biocombustíveis avançados.
A partir dessa perspectiva, Buainain propôs pensar em “bioeconomias”, no plural, como forma de reconhecer a diversidade de atores, tecnologias, instituições e trajetórias de desenvolvimento associadas ao uso econômico de recursos biológicos.
Outro ponto central da apresentação foi a relação entre conservação e desenvolvimento. O professor observou que, em muitos debates internacionais, esses dois objetivos ainda aparecem como agendas concorrentes. Para ele, porém, países megadiversos como o Brasil precisam construir modelos capazes de combinar conservação da biodiversidade, desenvolvimento econômico, inclusão social, transição energética, mitigação climática e governança territorial.
A agricultura brasileira foi apresentada como exemplo dessa complexidade. Buainain ressaltou que o setor representa uma das mais importantes transformações tecnológicas da história econômica recente, impulsionada por pesquisa científica, inovação, instituições públicas, capacidade empresarial e investimento de longo prazo. Ao mesmo tempo, reconheceu que a expansão agropecuária também esteve associada, em diferentes regiões e períodos, a desmatamento, conflitos fundiários, pressões ambientais e falhas de governança.
Para o pesquisador, o desafio está em preservar os ganhos de produtividade e inovação, reduzindo pressões ambientais e fortalecendo mecanismos de governança. Essa agenda, afirmou, exige novos instrumentos de mensuração da bioeconomia, valorização da biodiversidade nas estratégias de desenvolvimento, avaliação dos impactos ambientais, econômicos e sociais de diferentes modelos produtivos e uso de tecnologias como biotecnologia, digitalização e inteligência artificial.
A participação de Buainain na FAPESP Week London 2026 reforça a presença do Instituto de Economia da Unicamp em debates internacionais sobre desenvolvimento, inovação, sustentabilidade e políticas públicas. O evento integra a série FAPESP Week, criada para aproximar pesquisadores do Estado de São Paulo e instituições estrangeiras em torno de agendas científicas de interesse comum.
Ao final de sua intervenção, Buainain afirmou que a questão central não é escolher entre biodiversidade e desenvolvimento, mas construir instituições, políticas, tecnologias e formas de cooperação internacional capazes de fazer com que conservação, crescimento econômico e inclusão social se reforcem mutuamente.
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O Instituto de Economia da UNICAMP foi criado em 1984 e tem por finalidade a promoção do ensino e da pesquisa na área de Economia.
