18 AGO 2026

NOTÍCIA

 

O Instituto de Economia da Unicamp participou da 30ª Conferência Anual do International Consortium on Applied Bioeconomy Research (ICABR), realizada em julho de 2026. A edição marcou os 30 anos da rede internacional, que reúne pesquisadores dedicados ao estudo da inovação, da agricultura, da biotecnologia e das transformações associadas à bioeconomia.

Estiveram no encontro os professores Antônio Márcio Buainain e José Maria Ferreira Jardim da Silveira, do IE/Unicamp, e Geraldo Martha, pesquisador da Embrapa, professor associado do Instituto e vinculado ao Centro de Economia Aplicada, Agricultura e Meio Ambiente (CEA). Também participaram egressos do IE que hoje atuam como docentes e pesquisadores em outras instituições, entre eles Roney Fraga e Jaim da Silva Junior, além de pós-graduandos e pesquisadores associados a essa agenda.

A participação do grupo evidencia uma trajetória de pesquisa e formação construída ao longo dos anos no IE/Unicamp. Pesquisadores formados ou vinculados ao Instituto, hoje distribuídos por diferentes universidades e instituições de pesquisa, seguem colaborando em temas relacionados à economia da inovação, agricultura, biotecnologia, sustentabilidade e bioeconomia.

Essa inserção apareceu também na programação científica da conferência, que reuniu trabalhos e debates sobre inovação e segurança alimentar, mudanças climáticas, políticas e regulação da bioeconomia, biotecnologia, bioenergia, bioinsumos, sustentabilidade da agricultura, propriedade intelectual e riscos associados à transição para uma economia de base biológica. São temas próximos das agendas de pesquisa desenvolvidas no IE e no CEA.

 

Propriedade intelectual, inovação e transformação do mercado de milho

 

Entre os trabalhos apresentados por pesquisadores vinculados ao IE esteve “Is Intellectual Property an Innovation Engine? Strong IP Protection as One Driver of Brazil's Corn Sector Transformation and Competitive Advantage in a Global Bioeconomy”, de Antônio Márcio Buainain, Adriana Carvalho Pinto Vieira, Andréa Leda Ramos de Oliveira, José Maria F. J. da Silveira, Marcelo Magalhães e Vinicius Ferrari.

O estudo utiliza a transformação da cadeia brasileira do milho nas últimas décadas para discutir uma questão mais ampla: em que condições a proteção da propriedade intelectual estimula inovação e difusão tecnológica e em que circunstâncias pode contribuir para concentração econômica e ampliação do poder de mercado.

A análise indica que os efeitos da propriedade intelectual não podem ser compreendidos de forma isolada. No caso brasileiro, a expansão das tecnologias associadas ao milho ocorreu em um ambiente institucional que combinou proteção de cultivares, regulação de biossegurança, mecanismos de licenciamento e capacidade acumulada de pesquisa e adaptação tecnológica. Empresas internacionais, empresas nacionais e instituições de pesquisa participaram desse processo, articulando tecnologias proprietárias, germoplasma e conhecimentos agronômicos adaptados às diferentes condições produtivas do país.

O trabalho chama atenção para uma questão central da transição para a bioeconomia: a inovação depende não apenas da existência de novas tecnologias, mas também da qualidade das instituições que organizam os incentivos ao investimento, a apropriação dos resultados, o acesso ao conhecimento e sua difusão pelo sistema produtivo.

 

Uma rede construída ao longo do tempo

 

A participação na conferência também teve uma dimensão histórica. A sessão de encerramento foi dedicada aos 30 anos do ICABR e reuniu pesquisadores convidados a refletir sobre a trajetória da rede e os novos desafios para a pesquisa em bioeconomia. José Maria da Silveira participou do painel, evidenciando a relação de longa duração entre pesquisadores do IE/Unicamp e a comunidade científica articulada em torno do ICABR.

Ao longo dessas três décadas, a agenda do ICABR se ampliou. A discussão inicialmente associada à biotecnologia passou a incorporar temas como bioeconomia, sustentabilidade, energia, mudanças climáticas, segurança alimentar, regulação e governança da inovação. Essa evolução aproxima a agenda internacional da rede das pesquisas desenvolvidas atualmente no IE/Unicamp e no CEA.

A participação na 30ª edição do ICABR contribuiu para divulgar pesquisas desenvolvidas no âmbito dessa rede, acompanhar avanços recentes da literatura internacional e fortalecer contatos com pesquisadores de diferentes países e instituições. Ao mesmo tempo, a presença de docentes, pesquisadores, egressos e pós-graduandos ligados ao IE evidencia a contribuição do Instituto para a formação de uma comunidade acadêmica que participa do debate internacional sobre os desafios da agricultura, da inovação e da bioeconomia.