A economia digital abrange, cada vez mais, dimensões da vida cotidiana e setores da economia. Neste contexto, este artigo teórico se propõe a discutir as diversas plataformas digitais criadas por esta nova configuração da economia, analisando o que há em comum em grande parte delas – a geração de valor baseada na produção de dados pelos usuários –, mas também os elementos que as diferenciam. Neste caso, são analisadas as plataformas de intermediação, da share economy e da gig economy, dando maior destaque, neste segundo grupo, às empresas-plataforma de trabalho por demanda.

Posteriormente, o foco recai sobre o setor turístico, onde são identificadas algumas das novas tecnologias e das plataformas digitais que estão sendo criadas e incorporadas pelo setor e seus impactos no mercado de trabalho. Para tal, utilizamos informações e dados fornecidos por instituições como ETUI, OIT, WTTC, Banco Mundial, LAMFO/UnB, IPEA e IBGE além daquelas contidas nos termos e condições de algumas plataformas. Inicialmente, a hipótese era de que o mercado de trabalho no setor de turismo estaria sofrendo impactos apenas em função da entrada das empresas-plataforma de trabalho por demanda (gig economy) no segmento hoteleiro, como a Brigad.

Entretanto, a pesquisa revelou que a situação é muito mais grave. Por um lado, dentre as plataformas da gig economy, além aquelas específicas do setor de hotelaria, também as de entrega (iFood, Uber Eats, Rappi) e de transporte (Uber e 99) estão contribuindo para a precarização dos empregos no setor. Por outro lado, as da share economy, a exemplo do Airbnb, assim como as de intermediação (entre elas a Decolar e a Trivago) também estão impactando de forma negativa o mercado de trabalho seja no que se refere à quantidade de empregos destruídos como a falta de qualidade daqueles poucos que são criados. Assim, podemos dizer que a entrada dessas plataformas no setor está gerando uma nova onda de precarização laboral num mercado de trabalho já marcado por condições precárias.

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