MÍDIA

 

Por Ricardo Carneiro | Carta Capital

 

O sistema financeiro brasileiro é um mau exemplo em vários sentidos. Cumpre mal o seu papel de financiamento da economia; o crédito, lato sensu, é caro e concentrado no curto prazo, a taxa de juros é uma das maiores do mundo, talvez a maior. Pequenas e médias empresas, bem como parcela expressiva das famílias, mostram indicadores de alto e crescente endividamento. Até a eclosão do caso Master, alegava-se que a despeito dessas más características o sistema, além de protegido contra as crises – até porque empresta relativamente pouco – também apresentava elevado padrão de regulação e proteção contra fraudes. Todavia, o que se está presenciando é exatamente o contrário.

 

A regulação do Sistema Financeiro Nacional possui baixa accountability entendida como a somatória da baixa qualidade e quantidade de informações prestadas, a pouca explicação das decisões tomadas, sobretudo no âmbito regulatório além de dificuldades de impor sanções. Ademais, estão presentes no nesse sistema omissões cruciais, como a da regulação das fintechs. Para não obstaculizar o crescimento dessas instituições o Brasil adotou o chamado ‘sandbox regulatório’, uma dispensa temporária de regras, com o intuito de regular a posteriori com o aprendizado. Mas, essa atitude se eternizou e, como estamos fartos de presenciar, a proliferação de fintechs facilitou a lavagem de dinheiro do crime organizado e de sonegadores de impostos.

 

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